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Sociedade Ideal

postado em 13/01/2010 13:06 por Paroquia Nossa Senhora da Esperanca   [ 13/01/2010 13:22 atualizado‎(s)‎ ]







































Não existe análise que não provoque repercussões (negativas ou positivas). Por onde quer que você entre numa questão dessa, não importando qual seja, vai desembocar direto no centro da mesma encrenca, do mesmo impasse.

 Mesmo que você saiba rastrear um assunto, até suas raízes, na estrutura da realidade, ainda pode cometer equívocos, injustiças e imprecisão. Tem que pensar no assunto até que o pensamento encontre seus caminhos e coordenadas de tal análise. Por onde (qual o caminho mais sensato) e como (de que maneira) ela deve ser analisada.

 Não é falar consigo mesmo, combinar palavras ou argumentar tentando explicar alguma coisa. Não é nem construir deduções, pois mais lógicas que sejam. É preciso fatos (“Contra fatos não há argumentos”). Trata-se de tomar consciência, e não de imaginar, deduzir. Você não pode se abrir à realidade construindo alguma coisa em lugar dela.

 Pois bem: o que seria exatamente, no contexto geral, uma ‘Sociedade Ideal’? Primeiro, temos que lembrar que ‘Sociedade Ideal’ não é necessariamente uma sociedade perfeita. Com isso, em suma, seria aquela na qual o ser humano valeria mais do que as coisas (“Devemos amar as pessoas e usar as coisas, e não, usar as pessoas e amar as coisas”). Isso está atrelado a 3 valores: respeito, solidariedade e tolerância.

 Nesse sentido, entende-se que para existir a ‘Sociedade Ideal’ será necessária antes a existência do ser humano ideal. Mesmo que o ser humano busque o melhor para si e para sua família, deve buscar também o melhor para a sociedade. Como também, age mal quem deixa a cargo e outrem decidir sobre o que é melhor para si mesmo.

 Sendo o ser humano senhor dos seus próprios destinos, a ‘Sociedade Ideal’ é aquela que garanta, a todo ser humano, a realização dos seus sonhos, sem que os outros atrapalhem, e se possível, ajudem. No plano organizacional, a autoridade (ordem social) é que se encarrega das regras, que não pode ser confundida com autoritarismo.

 No Brasil, historicamente formou-se uma sociedade patriarcal, com uma cultura individualista e materialista, em regra, que reflete em todas as áreas de atuação populacional. Uma análise a ser feita, é que a nossa civilização (moderna) mostra que houve um desenvolvimento de bens materiais maior do que de valores culturais. O comportamento humano imprimiu uma série de atitudes nas quais a sensibilidade para a dimensão espiritual da existência humana foi reduzida, limitando o significado da vida humana. Muitas instituições, segmentos, pesquisadores, personalidades enfim, trabalham devotadamente para confrontar com isso, e mudar essa realidade. Ou pelo menos melhorar.

 Como consequência disso, a sociedade, em regra, vai se habituando a conviver com crises de valores e perdendo a capacidade de separar o justo do injusto, o verdadeiro do falso, o joio do trigo, o bom do ruim. É preciso aprender a refletir e a enxergar além das aparências. O ser humano (moderno), em regra, é solitário, infeliz, egoísta e doente (espiritualmente). E distante da realidade, dos outros e dele mesmo.  Existem estruturas e situações que castram a iniciativa das pessoas, coíbem manifestações pessoais e sociais, não oportunizam as pessoas, praticam a exclusão, reprimem talentos e inibem sonhos. Nisso impõe a libertação e o rompimento dessa injustiça, opressão, prática desumana. Não há convivência humana sadia quando um ser humano escraviza o outro.

 Normalmente, o que provoca conflitos, discórdia, desentendimento, inimizade etc., é a falta de regras e limites na convivência humana. Respeito às normas sociais (da sociedade) e respeito entre as pessoas (respeito recíproco). Um procedimento justo gera um resultado justo. Isso só é possível numa sociedade bem-ordenada. Para tanto, é preciso que essas normas não sejam letras mortas, sem valor prático.  Sendo assim, atenderão aos desejos básicos da sociedade: paz, solidariedade e união.

A regra básica é respeitar cada ser humano com suas características e peculiaridades. Não é fácil isso na prática. Às vezes, nem mesmo as nossas atitudes nos agradam. Porém, se quisermos nos relacionar adequadamente na convivência humana, precisamos nos relacionar bem primeiro com nós mesmos, vencendo nossos obstáculos internos. Se não houver isso não haverá ser humano ideal nem convivência ideal e, consequentemente, não haverá ‘Sociedade Ideal’.

Tiago Albuquerque
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